
CONSCIÊNCIA - Eu me sinto negra por dentro e por fora | imagem: Val da Costa | desenho: Marley Lucena
por Val da Costa
Eu não sigo a moda que a TV prega, acho brega. Eu não acredito em ninguém que o dinheiro compre. Eu não uso chapinha direto. Eu não ando de salto alto sempre e nem por isso me sinto menor do que quem usa. Eu não uso calças padronizadas, etiquetadas e de grife. Eu não compro tudo o que vejo e tenho somente um relógio. Eu não faço coleção de calçados. Eu não compro roupas mensalmente somente pra lotar meus cartões e cheques. Eu não devo mais do que ganho, pois entendo o equilíbrio desta máxima. Eu vou ter um carro por necessidade, não pra fotografar e colocar no Orkut, pois tenho noção do quanto ele irá poluir o meio ambiente com seus gases. Eu vou ter uma casa, mas ela não será meu “sonho de consumo realizado” porque ela é fixa. Eu não gosto de auto-ajuda e sim de filosofia. Eu não vou publicizar o nascimento do meu filho num outdoor porque ele não está à venda. Eu não vou construir uma piscina se eu tenho consciência de que a água do planeta vai acabar. Eu não sou escrava de ninguém e não temo o desemprego por acreditar que trabalho só falta para quem não procura, não tem nada de qualidade e pra quem não é empreendedor. Eu não sirvo a um homem, mas amo um e convivo com ele de forma honesta, justa e harmoniosa. Eu não faço os gostos do meu filho quando ele não merece. Eu não sou parecida com outras mulheres, pois não sigo padrões sociais, profissionais e de consumo. Eu me sinto negra por dentro e por fora. Eu acho que sexualidade deve ser conversada, apesar de concordar que sexo não é política, mas é uma besta selvagem que precisa ser encarada na adolescência.
Apesar de ser assim,
respeito os outros que não são
(nem agem, nem pensam)
como eu.





