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| ILUSIONISTAS - Estratégicos são os eleitores que aceitam as gratificações e votam no opositor. De pro-pó-si-to! | imagem: Divã do Masini |
Eleições chegando aí no próximo domingo e a gente vendo aumentar a onda de corrupção instituída pelo dinheiro. Político que oferece estabilidade no emprego adquirido, famílias inteiras o acompanham. Se for até cinco votos, vale uma graninha dada pelos coordenadores de campanha. Dentadura, cadeira de rodas, colchão... pra aquele que vive sozinho no mundo, com seu título de eleitor como muleta ou cuia.
Tudo o que vem de troca de favores na nossa sociedade atual num momento político só causa uma falsa vergonha que não engana mais nem criança. Vender voto é lobismo no Nordeste. É a região onde os negociantes de votos mais se desenvolvem enquanto empreendedores de ilusões. Se apoiar na pobreza, na miséria e na falta de educação para ter poder e dinheiro são ações de sucesso garantido.
Tanto que temos um candidato a deputado que cansou de servir de palhaço e agora vai fazer um bocado de pobre gargalhar de satisfação ao elegê-lo. Esse é o tipo de candidato que o eleitor escolhe pra "se vingar" do sistema capitalista. Quem duvida que ele ganhe, com direito a reeleição, dependendo do que venha a deixar de fazer?
O povo é assim, eleitor despreparado, com ar de entendedor de política, que vive debatendo o assunto infame o tempo inteiro... e não aprende a votar de vingança. Apoiar candidato pilantra por uma colocação que, a gente sabe, não remunera tão bem quanto ao próprio político e partido? Burrice....
Esse foi o mal de Severino Ramos. Trabalhador honesto, reto na palavra. Mas, liso, como todo brasileiro classe média baixa hoje em dia, resolveu vender o voto. "- Tu acha que mil conto tá bom? Dá pra construir minha laje, que tá parada há anos..." Perguntou a todos do trabalho. Deram conselhos, mas ele conseguiu achar um candidato que comprasse seu voto.
Depois de passar meses correndo atrás do político já eleito, Severino consegue o que tanto queria: a laje de sua casa. Quando se pergunta se ele foi palerma ao ponto de votar de verdade no político corrupto, ele desconversa: "Eu ainda pensei em votar no outro, mas na hora me veio uma impressão do meu candidato tá olhando por alguma câmera..."
Cuidemos dos nossos olhos. Lubrifiquemos e, principalmente, deixemos os dois bem abertos e móveis! Se por acaso pintar a cegueira da incompreensão, lembrem-se do menino de olhos de pregos e sua maneira de "ver" as coisas. Nas urnas, tirem os pregos dos olhos...
El niño de ojos de clavo
terminó de montar su árbol
de estaño en un solo día.
Pero se veía muy raro
pues él mismo no se veía.
Tim Burton - La melancólica muerte de Chico Ostra - 1997
