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4 de fevereiro de 2010

QUER ENTRAR NUMA PINTURA DIGITAL?


VIBRAÇÃO - As cores, as formas e agora o movimento compõem as pinturas digitais que fazem os apreciadores imergirem na obra de arte. | imagem: divulgação

VALDÍVIA COSTA

Há tempos que queria iniciar um quadro de entrevistas, mas ninguém respondia às pautas. Eis que um artista sensível e com boa vontade chegou junto. Vamos explorar o universo das pinturas digitais do recifense Eduardo Lima. Ele está mostrando que pra ser artista multimídia tem sim que acompanhar as novidades e mais: inovar. Com a ideia de transportar as pessoas pra dentro das suas telas digitais, Eduardo está com uma nova série de pinturas que começa a aparecer pelo Sesc Pernambuco, o Imersões.

O artista tem 30 anos e aprofundou sua pesquisa e experiências estéticas digitais a partir do curso de Arte e Mídia (UFCG). Em Recife (PE), Eduardo chegou a realizar quatro exposições, três durante as edições da Semana de Artes Visuais - SPA das Artes. A primeira exposição foi na coletiva Assentamento (2003), com vários artistas numa casa no pátio de São Pedro.

Ao comemorar 10 anos de carreia artística, a convite do Sesc Casa Amarela, ele realizou sua primeira exposição individual, a Imersões, em outubro de 2008. Já em 2009, o Sesc Petrolina (PE) o convidou pra expor na Galeria Ana das Carrancas, no Aldeia do Velho Chico.

De acordo com "- Você nasceu artisticamente da simbiose humana com as máquinas, como descreveu Lúcia Santaella, citada no seu release. Como surgiu esse interesse por pinturas digitais e multimídias? Essa área exige um conhecimento mais aprofundado das tecnologias pra produzir as telas?

Eduardo Lima - Eu comecei a produzir pinturas digitais de forma bastante espontânea. Em 1999, eu resolvi fazer um curso do Adobe Photoshop, pois já gostava de trabalhar com computação gráfica. Durante este curso, eu comecei a perceber as infinitas possibilidades de criação e manipulação de imagens digitais que este software poderia me proporcionar. No final do curso, o professor passou uma prova de avaliação final. Numa das questões, o professor pediu para eu criar qualquer imagem. A partir daí minha vida nunca mais foi a mesma. Eu, literalmente, pirei com a possibilidade de criar pinturas digitais, pois eu jamais tinha pintado nada em toda minha vida e nunca fiz nenhum curso de desenho ou de pintura. Para mim foi uma descoberta surpreendente. Eu recebi influências muito fortes, já que na minha família materna tenho alguns tios que são artistas plásticos e na minha família paterna a maioria são engenheiros. Daí a simbiose entre as máquinas e a arte.

" - Como você lida com essa arte: você procura se inserir em algum mercado nacional ou internacional ou simplesmente produz pra expor e negocia as telas aleatoriamente? Qual o melhor caminho pra quem começa a fazer as primeiras pinturas?

EL - No final de 2008 fui convidado pelo Sesc Casa Amarela para produzir minha primeira exposição individual. Foi muito entusiasmante para mim, pois até então eu só havia participado de exposições coletivas. Como consequência do sucesso desta exposição, a direção do Sesc PE me convidou em 2009 para levar o Imersões para Petrolina. Foi uma experiência fantástica. Desta forma, eu tenho procurado me inserir num mercado local e nacional, através da rede do Sesc. Acredito que não exista um melhor caminho para quem está interessado em começar a criar pinturas digitais. Eu acho que cada pessoa tem que descobrir o seu próprio caminho e seguir a sua intuição.

" - Seu primeiro trampo, Abdução (2002), se resumia a alguma temática, tipo série de quadros? Fale um pouco sobre o Abdução e os desdobramentos possíveis que você conquistou a partir dele.

EL - Bem, o Abdução é bastante complexo. Em 2002, ao tomar conhecimento do projeto Transmídia, lançado pelo Instituto Itaú Cultural, surgiu a ideia da exposição Abdução, que já passou por diversas mudanças estruturais e conceituais. Começou com o intuito de pesquisar as culturas indígena e afro-brasileira, pra fazer uma fusão entre a arte, a tecnologia e as culturas xamânicas existentes em nosso país.

" - Para pintar, você usa uma ferramenta que, eu diria, é até acessível aos pobres mortais interessados em se expressar nesse tipo de arte. Você tem feito cursos de outros programas, participado de eventos ou algo do tipo? Isso também ajuda o artista moderno e não só a inspiração imagética?

EL - O Photoshop é um programa com muitos recursos. A maioria das pessoas utiliza este software para editar/manipular/tratar imagens já existentes. Já eu descobri a possibilidade de criar imagens, coisa que qualquer pessoa pode fazer também, basta ter uma noção básica das ferramentas do programa e deixar a criatividade fluir. Depois que aprendi a dominar o Photoshop e comecei a criar minhas pinturas senti uma necessidade muito grande de dar movimento a elas, recurso que este software não oferece. Foi aí que eu mergulhei de cabeça em outro programa chamado Adobe Premiere, que inicialmente me possibilitou movimentar minhas pinturas. Durante um curso que fiz deste programa conversei bastante com o meu professor sobre minha necessidade de dar movimento às pinturas e ele me recomendou fazer um curso de outro software que se chama Adobe After Effects, pois este oferecia muitas outras possibilidades que o Premiere não tinha. Então, eu acabei fazendo este curso do After Effects, o que revolucionou minha vida novamente.

" - Quem te influenciou mais, sua família materna, "amante da arte", ou a paterna, aliada da tecnologia? Porquê?

EL - Com certeza foi minha família materna, pois tenho dois tios que são artistas plásticos, que me deram muita força quando comecei a criar minhas pinturas. Mas a influência tecnológica que meu pai me proporcionou foi de extrema importância na minha formação. Desde quando eu tinha uns dez anos de idade que comecei a mexer no computador do meu pai. Vale salientar que nesta época ainda não existia o sistema operacional Windows. Eu cresci vendo de perto esta evolução tecnológica. E meu pai sempre me ensinou como utilizar cada software. Isso fez com que cada vez mais eu fosse me interessando por este universo Hi-Tec.

" - Você disse um dia que suas pinturas são visualizadas em sonhos e depois criadas no computador. É possível pintar um sonho?

EL - Tudo é possível! Geralmente eu não costumo lembrar os meus sonhos, mas em alguns momentos em que acordei e me lembrei do que eu havia sonhado, corri logo para frente do computador para traduzir estes sonhos em imagens. Pode ser que eu não tenha conseguido traduzir fielmente estes sonhos, mas eu tentei expressar da forma que minha memória permitiu.

" - Ainda utliliza a projeção para complementar a sua exposição? Quantas telas tem seu acervo de imagens a serem projetadas numa exibição do seu trabalho? Apresentação (com dança) ou exposição? Como é o formato atual utilizado pra exibir as pinturas digitais?

EL - Atualmente, com o Imersões, tenho realizado parte da exposição com as pinturas digitais impressas, em média umas 28 pinturas. E, na outra parte da exposição, eu criei um ambiente imersivo. Nele o público pode interagir através de um teclado, onde cada tecla está configurada para acionar um vídeo com uma animação das minhas pinturas de forma aleatória. Tem duas teclas que, quando acionadas, ativam uma web-cam, que filma o rosto da pessoa e mistura essa imagem com as minhas pinturas.

9 comentários:

Eduardo Barbossa disse...

Bem...
Eu sou do pincel, tinta e tela.
Nesse ponto sou retro.

Grande abraço.



Eduardo Barbossa
eduardobarbossa.blogspot.com

Anônimo disse...

Eu mesma sou mais moderna e adoro as novidades nos campos da arte principalmente.Conheço o trabalho de Eduardo e é simplesmente fantático,vibrante,enfim maravilhoso.
O rapaz acima não devia ter usado o computador,devia ter enviado uma carta para o dono do blog....kkkk

neguinha disse...

Caraaaaa, fantástico o trabalho dele, adorei! E essa história de "transportar as pessoas pra dentro das suas telas " é muito massa. E acho que rola mesmo, olhando essa primeira imagem parecia que algo me puxava, kkkkkk, muito louco!!!

Valeu a pena esperar as entrevistas começarem. As perguntas matam a curiosidade de quem nunca ouviu falar em "pinturas digitais".
Sucesso.
Leidiane Alves.

Daniel Soutinho disse...

Acompanho Eduardo desde o inicio... na época dos monitores verdes e sem cor... e muito antes das maquinas digitais... ele já pintava sua imaginação com muita cor e vibração. Seu desejo transcendia a limitação técnica da época. Acredito que foi o pioneiro. Simplesmente fantástico. Parabens!!!!

Tacio disse...

As imagens estao muito boas. Fico feliz que esta tendo oportunidade de mostra-las. Parabens!

José Maurício B.Bezerra disse...

Excelente entrevista e pinturas fascinantes. Parabéns ao artista Eduardo Lima.

Taddeu Vargas disse...

Parabéns pela entrevista com o Eduardo Lima. Mexo com Photoshop há bastante tempo, mas me senti iniciante lendo o material. Parabéns ao blog pela iniciativa maravilhosa e pelo contexto todo do espaço. Voltarei! Abraço forte.

Tulio Domingos disse...

Conheco Eduardo desde a infancia e ja entao demonstrava talento em manipulacao de imagens...Parabens pela entrevista!

Tulio Domingos
tuliodomingos.blogspot.com

Sr do Vale disse...

Aproveito o momento para parabenizá-lo e também divulgar meus trabalhos:
www.particulasdosentido.blogspot.com
É uma proposta de Pinturas Poéticas