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7 de junho de 2010

JORNALISMO DUVIDOSO


ENGESSADO - O jornalismo não muda, sempre se pautando pelo sensacionalismo para chamar a atenção e vender, vender, vender... | imagem: SMS do Jornal do Algarve

VALDÍVIA COSTA

Uma mancada nacional é um deslize mais debatido, visto que o alcance do que foi exposto é maior. Por isso mastigarei uma gafe jornalística que foi cometida pela maneira anti-profissional como tratamos nosso trabalho, de maneira geral. A jornalista Christina Fuscaldo, do portal Rolling Stone, escorregou no quiabo. Escreveu, no final de maio, que a “Paraíba não costuma chamar a atenção por sua música, seu teatro, seu cinema e sua literatura”. Só vou pontuar como é feito esse ‘desserviço’ atualmente.

No mínimo, a repórter foi pra campo nas pressas costumeiras com as quais tocamos o trabalho jornalístico hoje em dia. Talvez preocupada com a quentinha (ou com o restaurante, dependendo do cacife do meio jornalístico) ou com o local que ela mesma teria que encontrar para descansar, a jornalista não se atentou em perguntar, “é isso mesmo que falta à Paraíba”?

Não sei que tipo de tratamento o portal da Rolling Stone oferece aos jornalistas, mas sei como funciona uma editoria diária. Claro que o (a) editor (a) de Christina não é um imbecil que disse: “vai lá e volte num único dia, viu Christina?!”. Mas, com toda certeza, ela não veio para ficar tempo "de sobra", portanto, não teve como ver no ‘pai dos titubeantes’, o Google, se o Estado era tão inexpressivo assim nas artes.

Mas não vamos entrar nesse mérito também, pois os colegas Jãmarri Nogueira e Ricardo Anísio já deram respostas à matéria. Levando-se em conta que um jornalista vem a um evento no Nordeste já com ‘regalias’ que nem um pobre mortal da imprensa local possui, ela deve ter tido tempo sim para saber, ao menos, sobre Augusto dos Anjos.

Só não quero pensar que foi o editor que meteu o dedão lá, refez a 'cabeça’ da matéria com toda sua arrogância, sem consultá-la. Sim, isso é possível. Quantos supermegaeditores não costumam ‘costurar’ mal as palavras no lead para dar um ‘tcham’ ao texto? Os setores comerciais desses meios são idênticos, se impõem nas cabeças editoriais acima de qualquer apuração jornalística.

Lembro muito bem do colega fotojornalista Antônio Ronaldo repetindo dentro da redação: “por que os editores não entendem que o jornalismo é uma atividade intelectual e que pressão só causa desmantelo na reportagem?” Até hoje não encontrei quem me respondesse isso, com coerência humana. Eu desconfio da preguiça, tanto no olhar, que não percebe a gafe da repórter; quanto no trato com outro Estado, fazendo-o parecer sem importância.

Certo que ela não foi de todo má com a Paraíba. Até colocou o conteúdo geral a favor do evento, querendo engrandecê-lo. Mas faltou um olhar mais profissional mesmo. Daqueles que não se aquietam, vendo um texto duas, três, quatro vezes (com dois, três, quatro jornalistas). Porém o webjornalismo diário, como o rádio, precisa de atualizações rápidas. Algo errado? O meio sempre dá um ‘direito de resposta’.

No geral, o que pareceu foi que alguém da Rolling Stone, repórter ou editor, beliscou os paraibanos. Para criar uma webpolêmica, talvez... A revista, às vezes, erra nomes de entrevistados! O que se tira de conclusão é que o jornalismo não se conserta nessas displicências. Nem na famosa revista internacional do rock.

4 comentários:

Tatiana Sales disse...

É Val... são coisas demais. Parabéns pelo ciberespaço.
Ei, vamos nos reunir de novo para tomarmos outro cafézinho. Prosa e filosofia...
bjao,
Tati.

Rebis Kramrisch / Snake Eye's disse...

Comecei a Comunicação Social no ano passado, embora tenha escolhido Multimídia, não pude deixar de me desmotivar quando uma das professoras (que é uma grande professora, mesmo egocêntrica, e que já foi bambambam no Globo) dizer que nas redações não se encontram mais pessoas maduras e os antigos estão sendo mandados embora. Estão dando preferência aos pós-adolescentes, de 18, 20 anos. Desmotivou porque eu estava com 33 e se não tivesse parado e tudo corresse certinho, me formaria aos 37 (quase no fim da vida útil nessa época louca que vivemos kkkk).
Então, de jornalismo saco menos que as outras coisas (que saco pouco, rs), e raramente leio jornais - tais como são. Dou prefência à mídia alternativa, como os blogs e sites de conteúdo cultural. Mas, o pouco que leio do jornalismo convencional, pude perceber que as notícias estão sendo dadas cada vez mais friamente, mais secas, respondendo apenas aquelas questões básicas usadas para se compor uma notícia - o que, quem, como, quando, onde.
E, vendo essa falta emocional nAs notícias e até artigos, a falta da opinião pessoal ou reflexiva, e juntando isso a cada vez menos valorização do profissional, dando-se preferência a jovens ainda imaturos em vários aspéctos, penso se no futuro não se criará um editor de textos eletrônico que faça todo o serviço do jornalista. Pois, se até nesta profissão que, teoricamente, deveria se valorizar ao ponto máximo a questão humana, pois, teoricamente, é uma profissão intelectual (então entende-se que deva ser usado o intelecto de um ser humano) estão robotizando...
(Desculpe, nada tem a ver com o que o post quis dizer, mas... rs e apaguei a primeira postagem por causa de uns errinhos básico que só vejo depois de publicado XDD)

Toninho disse...

Achei isso um vacilo sem precedente,
e de uma ignorância aguda. Uma opinião redutora e uma matéria insípida de conteúdo. Será que a Cult a Bravo e outros importantes veículos cometeriam o mesmo erro. Creio que sim, porque o Jornalismo é feito hoje com muito danoninho e pouca vitamina!
Alguém já faz idéia do jornalismo que vem lá!

De acordo com disse...

Pois é, Tati, muita coisa messsmo. rsss se formos anotar aki os deserviços do jornalismo, vamos encher o saco dos internautas. kkk Podemos marcar sim, viu? Q tal aki em casa, neste findi..?

Rebis, vc completou bem o post. Mas só os mais experientes percebem isso. Os mais novos entram 'na onda' dos desserviços pq é o q aprendem.

Gostei do termo jornalista do Danoninho, Toninho. hehehe parece q nem Danone eles têm, e sim muita fome de cultura e boa formação.
Besos a todos!