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4 de abril de 2011

AVERSÃO A ''SAPOS''


# Na atualidade, mesmo com a globalização e informação, ainda há censura. Nenhuma novidade, se não fosse um recurso muito mais usado hoje na internet para filtrar algumas informações. Mas seria ela apenas um mecanismo de defesa dos interesses políticos e pessoais dos donos das ferramentas de comunicação? Em alguns casos sim. Outros, nem tanto. Na internet, a censura é praticada como defesa. E, na grande imprensa (TV, impresso e rádio), a censura indica... um ''cala a boca!" mesmo.

Um caso ainda fresquinho de censura jornalística num meio tradicional de comunicação ocorreu na Bahia, onde a galera fala mesmo sobre essas pressões cotidianas da profissão. "Nesta segunda-feira (28), a jornalista Emanuella Sombra, do jornal A Tarde, pediu demissão do veículo após, segundo ela, sofrer censura em texto sobre Ivete Sangalo. A entrevista para a Revista Muito, edição 157, teve os trechos sobre a crise na empresa de Ivete, Caco de Telha, e o processo envolvendo seu ex-baterista, Tonho Batera, retirados após ordem de Ricardo Mendes, editor-chefe.", abre a matéria do Dia Bahia.

O fato é que o jornal, ou o editor-chefe do jornal, censurou essas duas perguntas, segundo Emanuella, decepcionando-a profundamente. ''... Duas perguntas referentes, respectivamente, à crise na sua empresa, a Caco de Telha, e ao processo envolvendo seu ex-baterista, Tonho Batera. As duas perguntas foram pronta e educadamente respondidas pela cantora, sem qualquer indicação de que eu não pudesse publicá-las. Foram feitas após sua assessoria explicar que Ivete só não falaria sobre sua vida pessoal e polêmicas envolvendo outros cantores. Portanto, sem que nem mesmo a assessoria da cantora me censurasse antecipadamente.", escreveu a jornalista, ao pedir demissão.

Ela deveria ter aval para perguntar livremente, visto que sua ''formação'' deveria se impor para tal. Mas uma coisa que não combina no Brasil é a nossa ideologia teórica comunicacional com o empresariado capitalista, que viu nessa investida da Manu um perigo ao ''desacatar'' a celebridade que seria também uma potencial investidora, já que meio de comunicação vive de ''jabá'', outra prática costumeira entre artistas ricos e meios não auto-sustentáveis. Desde o surgimento do primeiro jornal foi assim, corte comercial no verbo.     

Mas não são todos os casos em que a censura é aplicada com esses interesses financeiros e marketeiros. Para os pais, é até bom que o Google da Alemanha e da França removam o conteúdo Neo-Nazista. Aliás, o Brasil tem o maior número de pedidos de remoção do Google, 270 páginas removidas, das quais 177 por ordem judicial na primeira metade de 2010.

A Wikipedia espanhola impede publicações contra a integridade político-social da Espanha, como por exemplo, o português Oliventino. Nas redes sociais, apesar das pessoas serem provocativas, os conteúdos ofensivos podem ser denunciados e os perfis incômodos podem ser bloqueados. Nesses casos todos, a censura resolve problemas.


Por comunidades online, fóruns pela internet e salas de bate-papo, os moderadores são os censores, igual aos que trabalhavam na Roma antiga. Eles podem editar ou remover material contra as regras da comunidade, por exemplo, a comunidade Yahoo! Answers. Variável, mas alguns querem que o material seja relevante apenas para uma audiência especifica ou que as discussões se mantenham dentro da lei. A Wikipedia já foi acusada de censura.

No jornalismo não tem boquinha. A censura dá um nó na garganta dos que sabem porque aquele ''sutil'' corte foi dado (alguns jornais cortam metade ou mais de uma matéria, quando o assunto não foi, digamos, ''bem trabalhado'' pela reportagem). O pior é engolir esse nó aloprado, sabendo o que sabemos! Aí, jornalista censurado, meio exposto.

Nesses casos, o desabafo é a principal corrente de defesa. E muitos são os jornalistas que não temem pelo emprego ou pela ''amizade'' profissional perdidos. Mas se arrepiam lembrando do ''sapo'' engolido. E, a qualquer ameaça de veto de perguntas ou de conteúdo produzido, o gosto azedo da censura provoca náuseas.

#valdívia costa

5 comentários:

Dalmo Oliveira disse...

São poucos com as condições éticas e de autonomia pra fazer esse tipo de denúncia ao vivo na TV. Parabéns ao colega de Goiás!

Anderson Ribeiro disse...

Tá chovendo sapos!

Emanoella disse...

Val,
Adorei o novo layout do blog, mas o que gosto mesmo são os textos, mesmo que viessem em uma folha branca, estariam coloridos com suas ideias... cada vez mais instigante, provocativo.
Suas ideias transcritas sempre me trazem um novo pensamento, e penso... se "todo penso é torto", saio daqui tortinha com tanto pensamento pra pensar e repensar.

Anderson Ribeiro disse...

Cara, isso aqui tá show! Putz, sempre novidades, sempre em mutação.

De acordo com disse...

Opaaa... só gente boa aqui, interagindo. Nd melhor do que "liberdade", hem Dalmo? Manu, vc que é linda, aí vê tudo lindo... rss E meu amigo sergipano Anderson, que atua em Brasília, merece um abração! Cês vão ver quando eu encontrá-los... kekeke... 0/