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4 de agosto de 2012

NEGAÇÃO

Imagem extraída do site Stop Câncer Portugal
# Não sou você. Por mais que molde-me, por mais que refaça-me, nunca conseguirei ser o que você é. Ainda nem sei se sou... Mas sei que não posso, não quero e não me transformarei no que você quer que eu seja.


Por mais que pareçamos, não somos iguais. No gesto, na fala, nas ideias, nas redes... Podemos divergir de tudo. Porque tendemos a nos diferenciar... mesmo eu nascendo de você ou sendo apenas criado por você... por influência ou não, não seremos jamais a cópia de outra pessoa ou o que ela esboça para nos encaixar.


Não deveríamos ser forçados a isso... nem calar, parecendo encorajar as investidas de "desvio de conduta"!


Não devíamos deixar que nos talhem a nossa personalidade (nem à força, nem com doces gestos).


Mas não alimentemos a frustração dos nossos pais em não conseguirem criar os rumos da prole. Deixemos que eles pensem que somos aquilo que eles sonharam sermos, de fato? Não. Apenas tiremos as formas... e só briguemos caso a opressão e a manipulação se apliquem. Porque eu fiz meu cérebro capaz de independência.


Os caminhos são seguidos de acordo com a necessidade individual. Não posso ser outro além de mim mesmo. Só se eu quiser interpretar outra personalidade, aceita, tida como "correta" ou como "ideal"... Muitas vezes pinta essa vontade de agradar (como uma boa vontade) para com quem me pressiona.


Mas jamais consigo ser consistente nessa criação. E perene. É tanto que o teatro acaba quando nos cercam de diversas verdades... como fica difícil atuar com uma máscara frouxa, que nem camufla direito o outro ser nem tem razão para cobri-lo!


Serei coerente... "resultado da não-contradição entre os diversos conceitos". Sou assim mesmo, averso a manipulações... rejeito guias, aquelas correias que o chofer usa nas carruagens.


Sei lá se quero que guardem minhas incertas obediências, como troféus de um respeito que eu desconheço e que eu não empreguei a ninguém! Me sinto único. Não cabe mais outra vida aqui dentro de mim.


Acho que diria isso tudo a você. Se um dia me perguntasse. Se um dia falássemos sobre o assunto. Entenderia seus argumentos de reembolso pelo investimento que fizeram na minha educação. Mesmo assim, eu não seria... acho que nunca, nunquinha!
#valdíviaCosta

2 comentários:

Verner Stranz disse...

Parabéns, amiga!Muito legal teu texto. Deduzo que se refira principalmente ao eterno e sempre irresolvido conflito de gerações, que atinge a todos nós em algum momento da vida.Nós herdamos muitas característica de nossos antecendentes, mas a forma como lidamos com isso é que vai determinar nossa personalidade.Existe a cobrança,claro, e ela geralmente nos incomoda.Mas não quero me alongar: saiba que adorei teu texto, consegues escrever o que outros apenas pensam.E com brilho.

De acordo com disse...

Obrigada pela participação, Verner! É isso mesmo que você entendeu... parece que nunca seremos, para os pais, adultos... para alguns pais. É um desabafo... Valeu!