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13 de janeiro de 2009

*crônica - Ai, que calor! Ai, que sede! - Valdívia Costa


imagem do site: http://www.interjornal.com.br/fotos/6380168m.jpg

Arthur e Melissa brincavam de esconder quando entraram na barraca. Ela estava numa varanda de uma casa de praia, de frente para um visual festivo de cores do mar, do céu e das matas litorâneas. O sol fazia a gente espremer os olhos para enxergar as belezas naturais.

As crianças, excitadas, brincavam ao redor da casa, sem perceberem o esconderijo mais que perfeito dos dois primos que se deitaram no colchão da barraca para não serem percebidos. Se eles ficassem quietos, provavelmente ninguém os acharia.

Alguns visitantes passavam pela varanda e não viam as crianças. Melissa ficou deitada imóvel, de olhos abertos, rindo silenciosamente, imaginando a cara de interrogação dos outros colegas ao procurá-los.

Já Arthur... procurava obedecer a prima mais velha e ficar calado. Mas a inquietação dos seus sete anos não permitia. Agoniado com a repressão de Melissa, pegando em seu braço e gesticulando com o dedo na boca para não fazer barulho, o menino grita o desabafo quase inconsciente, que acabou com o esconderijo.

- Ai, que calor! Ai, que sede!

Graças a uma combinação explosiva entre o calor, a repressão e a inocência.


*Valdívia Costa é jornalista, mas paquera com as letras...

Um comentário:

JANDUY disse...

Excelente! Somente uma jornalista com sua perceptibilidade e precisão de suas idéias faz de um momento, uma ação, um conto.
Valeu Val!