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24 de março de 2009

*greve - depois de décadas, jornalistas cruzam os braços no CE


Polícia para quem precisa? - imagem: Google

24/03/2009 | 01:22

Na manhã desta segunda-feira (23), novamente um forte aparato repressivo com contingentes da polícia militar e segurança privada recepcionaram os jornalistas e quem mais passasse em frente ao jornal O Povo, em Fortaleza. É assim que os patrões e agentes de segurança pública se comportam diante do legítimo e legal direito de greve dos trabalhadores no Ceará. A greve só começou às 17h45, porque o patronato manteve a postura mesquinha de negar 1,02% de aumento real nos salários. Nova tentativa de mediação do conflito será realizada na Secretaria Regional do Trabalho às 16h desta terça-feira (24).

Já às 07h15, um caminhão do batalhão da Polícia Militar com capacidade para 70 homens, 4 viaturas com 18 PMs, além de 10 seguranças privados, protegiam o patrimônio do jornal O Povo em suas proximidades. Durante a manhã, dirigentes sindicais, inclusive a presidente do Sindicato dos Jornalistas e diretora da FENAJ, Déborah Lima, que é funcionária do jornal, foram impedidos de entrar na empresa. Quando conseguiram entrar e serem atendidos pela ombudsman Rita Célia Faheina, a quem tinham pedido direito de resposta a uma matéria veiculada pelo jornal com informações distorcidas sobre o movimento, os sindicalistas foram expulsos pelo diretor administrativo da empresa, Edson Barbosa.

Nos conformes da lei, os Sindicatos dos Jornalistas e Gráficos deram publicidade à deliberação de suas categorias com 72 horas de antecedência e mantendo-se dispostos ao diálogo. E foram surpreendidos por um “interdito proibitório”, ou seja, foi concedida uma liminar aos patrões impedindo os trabalhadores de fazerem piquete na porta do jornal, sob pena de multa de R$ 10 mil por dia às entidades. “É vergonhoso, os patrões pagam R$ 12 mil por dia para a segurança privada, mas negam R$ 12,59 a mais por mês nos salários de seus funcionários”, indignou-se Déborah, recordando que o faturamento publicitário dos jornais cresceu 9,8% em 2008, mas que os jornais O Povo e Diário do Nordeste não querem dar 1,02% de reajuste a gráficos e jornalistas.

Na tarde desta segunda-feira, dirigentes sindicais deram plantão no Ministério Público do Trabalho, buscando a mediação para prosseguir no diálogo com o patronato. Determinados na defesa dos interesses de seus representados, não arredaram pé do MPT até conseguirem uma audiência de conciliação com os patrões para as 16h desta terça-feira.

Apoiando o movimento dos jornalistas e gráficos, a CUT/CE busca contato com o governo do estado. Quer que o governo se abstenha de intervir no conflito, não envolvendo as forças de segurança pública numa disputa entre trabalhadores e empresas privadas. “É inaceitável que em vez de proteger a população contra a violência crescente do dia-a-dia o estado se disponha a reprimir trabalhadores”, protestou a presidente do Sindicato dos Jornalistas, lembrando que o movimento é pacífico e inserido no contexto das relações trabalhistas.

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fonte: Sindicato dos Jornalistas do CE

6 comentários:

xistosa - (josé torres) disse...

"Puxa minina" que a polícia bate forte e feio ...

Há que defender os patrões, pois deles poderá vir alguma coisa, agora dum trabalhador ... só vem trabalho.

Há muito que não sucede o mesmo por aqui.

Mas já tivemos polícias em greve a serem "atacados" pelos colegas ...

Então há ou não direito à greve?

Ou só como o patronato quer?

Anônimo disse...

nao lembro de outra greve igual. é, mas alguma coisa radical precisa (ou precisava) ser feita mesmo para melhorar os salárioss de quem trabalha com comunicação. Os donos das empresas enriquecem e acima de tudo adquirem poder, enquanto os profissionais são proletários...
Agora, os profissionais de comunicação, tanto de jornalismo como de assessoria de impresa e publicidade, precisam melhorar o nível, de leitura principalmente. Se não, não dá pra justificar o aumento de salário.

asu

Renata Ferreira disse...

Gostei da observação: a polícia deveria estar na rua protegendo a população e não batendo em trabalhadores que pedem apenas R$ 12 de aumento.
Por aqui na Paraíba, acho que a única greve de que tenho conhecimento foi aquela da década de 90 que resultou na demissão de vários manifestantes. Infelizmente é o que vai terminar acontecendo com os colegas cearenses

Anderson Ribeiro disse...

E o incrível é que quem trabalha na comunicação não pode dar vazão (divulgar) ao movimento. Divulgamos todos os dias violência contra o cidadão e somos impedidos de entrar no local de trabalho e não podemos escrever uma linha (no jornal). É foda! ser tratado pelo patrão como um marginal? e esse ainda tem ombusdsman? que piada!
Mas era preciso acontecer um movimento como esse de Fortaleza para chamar a atenção da sociedade de que quem trabalha com comunicação também sofre maus tratos (ao contrário do que pensam).

Val disse...

Pois é, jornalistas do Brasil, uni-vos, pois o "cancão tá piando".

Perseguição a obrigatoriedade do diploma, retaliação aos direitos com força policial, além do velho amigo que amordaça a todos, o assédio moral, são alguns dos nossos motivos de preocupações e desgosto.

Se em tempos de desemprego ninguém quer largar o osso pra bradar ao patrão "eu sou gente, sou limitado, preciso de mais dinheiro porque o número de funções aumentou", ao menos se conversa sobre isso, se estuda as possibilidades de uma ação, poderia ser até futura, já que o receio trava a todos.

O que não dá é pra ficar caladinho, esperando a chuva passar. (Seria medo de derreter o cérebro de açúcar?)

Penso que tenho pouco tempo pra fazer alguma coisa digna durante minha vida aqui na Terra. E vou usar A FALA como quem se agarra à proa de um navio numa queda provocada, em alto mar...
;-)

xistosa - (josé torres) disse...

Quem quer impor pela força as suas directrizes é porque não tem razão ...