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20 de outubro de 2009

*lançamento - poeta sergipano e o 4º livro



Por Valdívia Costa

Dentro da complexa arte contemporânea surgem os novos poetas, os novos poemas. Das regras poéticas a simplicidade bucólica de um sentimento restrito, o poeta sergipano Assuero Cardoso busca os motes na sua própria experiência de vida. Amores, ilusões, sentidos despertos... tudo se mistura na literatura cardosiana, como uma ciranda que vem rondando minha vida desde 1992. Com o lançamento do quarto livro, A cerca de vidro, na sexta-feira passada, abro um parêntese para falar como essa poesia me despertou os sentidos para outras artes.

Quando conheci Assuero, ele lutava para ver sua obra publicada, como todo artista independente faz ainda hoje. Captando recursos dos amigos de Lagarto (SE), onde nos conhecemos, das instituições que apoiam a cultura. E com todo esse esforço desempenhado por ele mesmo surgiu o primeiro livro de poesias só do autor, o Nu e Noturno (1992). Esse livro significou muito para mim, literária e esteticamente.


PRESERVADO - Primeiro livro do autor fez mini-tour nordestina viajando nas minhas coisas, saindo de Sergipe para a Paraíba, passando um ano no Rio Grande do Norte... as imagens que acompanham as poesias desse livro são belas pinturas do artista plástico sergipano Adigenal Bezerra

Era uma época de aprendizados. Eu tinha acabado de chegar para morar com meu irmão mais velho em Lagarto e Assuero era o amigo mais artístico dele. Fiquei a observar seus modos diferentes, seus trejeitos teatrais, sua escrita e caligrafia tão perfeitas... Ele sempre foi professor (acho que já nasceu dando aulas) e eu nunca tive o privilégio de ser aluna dele. Mas na noite... Assuero me deu lições sobre poetas que bebemos na pizzaria Flor de Cactos (cercados dos gatos siameses de Ângela), me ensinou da métrica poética explicando seus versos apaixonados.

Eu tive mais um desabrochar cultural em Lagarto do que qualquer outro tipo de vivência. Tantos estilos musicais que ouvi pela primeira vez. Sempre se sobressaía Caetano Veloso nas trilhas das conversas, mas havia mais música popular brasileira tocando em mais ambientes. E em qualquer um que estivéssemos, a áurea poética era completa com Assuero. E tudo o que eu queria era ser pássaro... E Assuero me alertava:

"Eu deixei de ser pássaro após a última repressão / hoje o passado é uma prisão de traumas / cantos e assobios pausados em dor maior / em si, no lar, sob o sol antes de dormir / não vou mais que além dos limites mortais / como o cio dos animais, faro e instinto humanos" (BRADO - 1988)



SEGUNDO - "Eu me minto muito / muitas vezes me sinto muito / quando discurso verdade. / Quantas vezes escrevo em verso e prosa / aquilo que poderia gritar na rua"


Já o segundo livro do autor, Lua Lírica (2000), trouxe uma bela poesia-homenagem ao pai do poeta, mestre Gino, que criou Assuero e o irmão com a força e a verdade de um homem simples. "Quero-te velho e sábio, assobiando no tempo / descansando a alma numa cadeira de balanço", homenageia na poesia "Meu pai", de 1990. As ilustrações, sempre caminhantes amigas das poesias cardosianas, são do artista Márliton Nascimento.


CONTÍCULOS - Assuero faz seu primeiro ensaio de contículos poéticos. Dessa vez, uma artista mulher é contemplada para desenhar a capa e compor as demais ilustrações do livro, Angélica Amorim

Vagando pelas tantas sensibilidades poéticas, Assuero encontrou seu lado contador de histórias no seu terceiro livro, O Espectro no Espelho (2005). Mas sem deixar de lado a metáfora, as nuances já tão conhecidas em sua literatura. E que venham mais contos como o ansioso "O amante das segundas-feiras", no qual quem ama sofre a espectativa de ter a pessoa amada do jeito que imaginamos, mas sem o comando devido.

"... Ele voltava com o açúcar e mais quatro cigarros. Eu já sabia o destino do troco. O beijo agora teria o gosto de nós dois. Eu tratava o peixe sempre mais rápido naquele dia, porque naquele dia eu tinha mais carinho por ele"


Tomara que todas as obras independentes tenham essa progressão que notamos ao caminhar pelas autorias publicadas de Assuero Cardoso. O poeta sergipano tem encontrado sua maneira de propagar sua arte pelo mundo, principalmente por este blog. Esperemos o mais novo exemplar de sua obra para que possamos comentar aqui.


ASSUERO CARDOSO - poeta faz pose ao lado de peça artesanal representando o animal que deu origem ao nome da Cidade Réptil, na qual morei apenas um ano e três meses e pela qual guiei minha vida cultural: Lagarto-SE

3 comentários:

sidiney disse...

Assu..
Mais merecedor de aplausos impossivel. PARABÉNS Careca !!!

Manoel disse...

Nossaaaaaaaa...amei vc foi buscar toda suas lembranças qdo passou por aqui...realmente senti agora como se vc estivesse aqui conosco, da vida boa d curtiçao e boas risadas com toda aquela gozação gostosa que tinhamos naquela época....
Parabéns pela escrita...amei esta bem claro do jeito que sempre gostei, pois meus textos sao tb assim com bastante clarezas....bjs e mta saudade de vc minha linda amiga...

Anderson Ribeiro disse...

Desvendar a poesia cardosiana é um mergulho no mar... que tanto amo e respeito e idolatro.