seguidores

24 de janeiro de 2010

MERCADO DE BANDAS SEM CACHÊS


PARCERIA: Há uma confusão de sentidos quando essa palavra é empregada num mercado de trabalho como o das artes: os mais espertos exigem logo um voluntariado eterno, plural e proativamente generalizado; e os artistas pensam que barganham uma entrada estratégica no mundo dos eventos de médio e grande porte. É justa a troca? | imagem: Mau Humor

VALDÍVIA COSTA

Eles estão em mais de 40 cidades brasileiras. Calango (MT), Dosol (RN), e Abril pro Rock (PE) são só alguns dos eventos musicais da cena independente que surgiram nas últimas décadas. Os festivais integram uma cadeia formada por jovens inseridos num mercado independente violento, no qual, muitas vezes, o trabalho suado de uma banda não vale sequer o cachê. Às vezes, nem a lojística básica pra uma locomoção de um Estado a outro é ofertada na contratação de uma banda.

Em tese, esses eventos deveriam promover a circulção da música que ainda não está inserida no mercado fonográfico nacional. Ou seja, os festivais e feiras realizados por produtores e produtoras culturais tem como objetivo colocar novos trabalhos musicais num cenário que está em constante transformação, como o das comunicações. Parte dessa mudança se deu depois da quebradeira de majors do ramo, na venda de fonogramas, e, recentemente, de algumas casas de shows.

O povo da música começou a ver diferente algumas iniciativas, privadas ou públicas, por causa, principalmente da falta de grana no setor. Mas grande parte da cena está se auto-sustentando com o escambo, uma das formas mais antigas de comércio. Como funciona e se isso está dando certo, com os devidos avanços de qualquer mercado, são alguns dos pontos principais dos gargalos da área musical.

Se há negócios sendo feitos, todos os músicos são atraídos, como cardumes velozes e cintilantes de tantos milhares que se encontram a caminho de um desses festivais. Uns dizem que o problema está na demanda que ultimamente vem crescendo mais do que a procura. Realmente. Isso faz muito sentido.

Se, no Brasil, não temos educação e cultura, se a internet ajudou a alargar as redes de contatos virtuais (mas que procuram música gratuita), não temos mais verdadeiros consumidores de arte e sim experimentadores de nuances, tendências descartáveis ou mutantes, de acordo com essa onda de interesses cibernéticos. Teremos, assim, cada vez mais, uma possibilidade de concorrência desleal nesse mercado pra cooptar um público consumidor plural, quase eclético (argh!), que ouve desde Fresno ao Macaco Bong (MT).

Como não sou expert no assunto, apenas observo atentamente o que dá pra absorver pela net, vamos deixar esse papo pra quem entende do assunto. Na Sala de Tortura, O Inimigo entrevistou uma dessas crias desse circuito, Pablo Capilé, um dos cabeças do Circuito Fora do Eixo, Abrafin, Cubo e outras iniciativas da música independente em evidência.

O papo rende muito, como a discussão sobre as redes de coletivos de arte e cultura, que crescem como uma cabeleira selvagem grudando as pontas em dreds ultra-modernos, articulados com milhões de fios da cibercultura. E muito músico chiou nessa primeira entrevista virtual que aborda uma temática econômica, permeada pela matéria-prima de qualquer evento desses, a música.

4 comentários:

Toninho disse...

Super importante este debate!
É uma caminho ainda obscuro de definição. Parece-me q os festivais como vitrines são postos na condição de redeber algo novo sem muita qualidade em detrimento de artistas e bandas profissionais q já estão no mercado e q não se submetem a determinados tipos de imposições.

Macaxeira disse...

Macaxeira
Importantissimo... E é legal abrir essa veia cada vez mais p/ um debate! Imagino e acredito q para bandas q já estão inseridas no mercado é díficil imposições impostas por esse "mercado alternativo"; imagine para uma banda que precisa divulgar e firmar seu trabalho - lugar a sombra... É ai q entra a VENTA. E sua "ideologia musical" acaba sendo comida pelo sisteminha! E como Toninho colocou mto bem, é um caminho ainda obscuro de definição.

myspace.com/macaxeirawalberacioli

xistosa - (josé torres) disse...

Pelo que me é dado perceber, há um "controlo" musical, sobre bandas ou músicos que têm que se sujeitar a determinados "parâmetros" que não serão os mais adequados para artistas.
Uns calam-se porque o dinheiro fala mais alto e ... para comprar uma sopa ou pão é imprescindível, (nesse caso) possuir uns reais.
Vai ser assim, como as "parcerias" do mercado de trabalho.
Acredita que em pleno séc. XXI há trabalho escravo, (em países que se dizem desenvolvidos)?
É o que se passa no meu Portugal.
A fome invadiu a sociedade mais desfavorecida.
O desemprego atinge os 600.000 e há sempre quem aproveite a desgraça alheia.

Quem não se submeter "as regras ditatoriais" é triturado pelos "tubarões" ou "barões".

Uma boa semana.

Pio Lobato disse...

Legal

Aconselho que acompanhem o debate que está rolando no blog "o inimigo" sobre entrevista de Pablo Capilé, que envolve o assunto

http://www.oinimigo.com/blog/?p=3634