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8 de fevereiro de 2010

A TERCEIRA IDADE E A INTERNET


WORLD - Com o computador lá em Jardim do Seridó-RN, D. Buíta fala com gente do estado onde mora, mas dá um alô, de vez em quando, pra os parentes nos estados vizinhos, pra o pessoal do Sudeste, e também fala com alguns conhecidos que estão na Europa. | imagem: Robson Yam

VALDÍVIA COSTA

Para muitos, um mouse é um bicho mesmo, só que de outro mundo. Monitor, teclado, hardwere, softwere... nada disso remete a algo conhecido para milhares de brasileiros. Ainda bem que quem ganha um salário mínimo no Brasil já pode comprar um computador. Por isso milhares de aposentados estão se incluindo mais nas tecnologias da informação. Na primeira promoção que D. Buíta viu, adquiriu o dela. E desde então sua vida tem sido uma eterna e boa pescaria.

Se falar pra essa aposentada que ela foi uma das mais recentes incluídas digitalmente no Brasil, ela nem vai saber do que se trata. Mas adicionar amigos, colocar smiles, enviar um scrap e sair se oferecendo como amiga pra os amigos dos amigos, isso ela já sabe. O computador e a internet não podem mais deixar de existir na vida dela. Quando dá uma quedinha na net, é motivo pra ela ficar nervosa, querendo saber o que responderam pra ela nas redes de relacionamentos.

Isso é um processo natural, que qualquer cidadão enfrenta ao ser um incluido digital. Você passa a ter acesso a um mundo de novas tarefas, passa a escolher caminhos numa esfera informativa virtual, ganhando liberdade e estendendo as redes de contato. Lógico que isso empolga. Isso foi o que faltava na vida de D. Buíta. Dela e da maioria dos idosos brasileiros que também estão na virtualidade, procurando, fazendo e se ocupando em alguma atividade.

Janduí, o marido da minha tia, se aposentou recentemente e vive baixando música pela internet. Já tem mais de 25 mil títulos na sua discoteca (dados de de 2008). E haja memória exterior pra comportar os arquivos de um obstinado colecionador de fonogramas! Não o classifico como passatempista. Além de ser um prazer ouvir novos sons todos os dias, é de grande utilidade pra qualquer comunidade ter um acervo desses tocando em alguma rádio comunitária.

O que muitos idosos vêem na internet? Talvez a graça que anda faltando ultimamente nas relações físicas, muito complexas com suas várias gerações. Muitas são as diferenças e é difícil aceitá-las. Ao menos na virtualidade dá pra usar um fake quando não se está a fim de se expor. Só não vale usar determinados conhecimentos pra invadir privacidade, mas pra fazer amigos nunca vai deixar de existir tecnologias cada vez mais atrativas e inclusivas.

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