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26 de setembro de 2010

PREGUIÇOSA

ÓCIO - O marido de uma mulher muito preguiçosa viajou pra voltar cinco dias depois. Apoiando sua preguiça, ele deixou uma torta grande para a mulher e colocou-a em seu pescoço. Ao retornar, a mulher tinha morrido de fome três dias antes. A torta só foi comida na parte perto da boca. | imagem: Portuguese
 VALDÍVIA COSTA

Fiquei preguiçosa depois que transformei esse "defeito" em minha subsistência. Desde pequena tenho quem arrume minhas coisas, faça minha comida e me deixe mais dengosa. Nunca precisei trabalhar. Meus pais sempre me deram tudo o que quis, inclusive os diplomas mais disputados para me sentir útil. Ainda soube escolher um bom marido! Aprendi com minha mãe a me escorar no que o outro tem.

Mesmo assim, para não me sentir totalmente inapta, arrumo a carreira do meu companheiro, projeto duas vidas de dois filhos e ainda administro uma grande casa. Tudo só de nome, porque quem faz tudo mesmo são meus empregados. Chato ter que mentir, mas fazer o quê?! Não sei de muita coisa... e o que eu aprendi sempre me parece uma chatice, logo me desinteresso e abandono.

Uaaah... Até pra escrever sobre mim tenho muita preguiça! Passo o dia todo dormindo e ainda assim, cedo da noite, nem dou tempo de sentir vontade de transar, caio na cama e durmo feito uma pedra. Meu marido reclama, diz que eu fiquei pra traz na corrida dos mercados competitivos. Quem liga?! Ele é quem está perdendo tempo com sermões. Digo que sim com a cabeça e pronto, tudo certo.

Também tive cuidado ao procurá-lo. Homem que é muito sensível, que gosta de ler e vive falando igual a professor, nota mais as coisas. Esses concursados não. São muito tecnicistas. Nem ligam se a casa está arrumada ou não, nem reclamam se as crianças estão mal educadas... Gosto mais assim. Dá pra enganar todos até chegar uma "boa hora" pra eu procurar o que fazer.

Não ligo se estou perto dos 40! Minhas amigas que não têm pais trabalhadores, que deixam heranças para os filhos, nem tampouco conseguiram um bom marido como o meu, que se desesperem para trabalhar! Eu finjo muito bem que passei o dia todo ocupada. Faço quinze roteiros tipo "dia atarefado" pra meu amado não perceber que fiquei largada, de bobeira, o dia todo.

Ao invés de cuidar em "arrumar uma carreira pra me dedicar e me destacar com o que eu faço", como me "aconselham", vou guardando um dinheirinho que sobra das compras grandiosas de fim de ano pra uma possível "fase ruim". (suspiro) Agora que ele arrumou umas doencinhas de trabalho, como úlcera, depressão crônica e outras, nunca se sabe quando pode acontecer minha viuvez...

4 comentários:

Sival disse...

Olá Valdívia.

Sou educador, moro em São Paulo, sou paraibano de Campina Grande formado em filosofia e teologia.
Gostei do seu blog. Muito interessante. Parabéns pelo trabalho

José Sival Soares

@hermanacof disse...

Muito bom,preguiça é meio que viciante as vezes.
abraço Val.

Rosaliriss Alencar disse...

É o retrato de "muitas" espalhadas por aí... acho até que virou um negocio para algumas mulheres! Bem retratado em sua crônica! Bacana...

De acordo com disse...

E como tem, Rosa! Rss não é a toa que me inspirei! =)