
GRITO DE LOS EXCLUIDOS - painel do equatoriano Pavel Eqüez, com colaboração do ceramista Guido Garbarino.
Na próxima sexta-feira (26) começa o primeiro Encontro Nacional de Rappers e Repentistas do Brasil. Apesar de segmentado, o evento vai ter como atração musical principal o grupo de pop romântico Cidade Negra. Estaria certo, se o intuito fosse atrair mais gente. Mas os rappers e repentistas eram o alvo do encontro realizado pela sub-secretaria de Cultura do Estado. O espaço aos artistas paraibanos deveria ser garantido.
Numa escorregada, a produção atingiu os integrantes de um dos grupos de rap mais antigos do Estado, o Reação da Periferia, colocado e retirado na programação do evento sem a devida consulta. “É delicado falar da importância desse evento. Primeiro porque é uma iniciativa pioneira no Nordeste. Mas já começou de maneira errada. A própria organização se mostrou incompetente”, reclamou o MC Metralha.
Pelo pomposo destaque no cenário nacional da arte, o evento deveria ter sido melhor elaborado. O respeito aos artistas locais teria sido dado. Conseqüência: escorregadas raras. Não quero nem citar a mancada de colocar o artista francês Mano Chao e retirá-lo, também sem justifica alguma. “Todo es mentira ¿Por qué será?” Gafe.
Deve ter vindo do marqueteiro Dércio Alcântara, da divulgação nacional, a idéia de colocar a primeira grade da programação do Rap & Rep na internet, que escorregou e logo caiu. MV Bill, Racionais MC, Cordel do Fogo Encantado, Marcelo Yuca e Marcelo D2 estavam lá. Mas não estarão aqui, ironicamente.
O último escorrego da organização do evento foi inventar de cobrar um quilo de alimento não-perecível pela entrada nas três noites de shows. Evento beneficente é gancho para qualquer matéria, todos sabem, mas esse não foi assim. Foi uma estratégia escorregadia de implantar a contrapartida social tanto recomendada pelo movimento hip hop. Mas faltou assessoria de imprensa abastecendo os jornais.
Se alguém não pegar as senhas antes de entrar no Spazzio, lugar esquisitíssimo à noite, vai recorrer aos vendedores ambulantes para comprar comida. O quilo de arroz deverá custar o triplo do preço normal na frente da casa de shows. Por falar em grana, o Rap & Rap custou cerca de R$ 1 mi, rateados entre MinC e Sub-secretaria de Cultura. Será que não deu para profissionalizar e promover uma difusão maior das culturas hip hop e popular?
“Sabotagem” ao Reação da Periferia
“Nos colocaram lá sim, mas como um consolo. Ninguém gostou”. O desabafo é do MC Metralha. Em mais outra escorregada (ai!), a equipe do Rap & Rep colocou, de última hora, o Reação da Periferia na grade da programação num espaço chamado Sabotage. Escondidinho, no Sítio São João. Acredite quem quiser! O nome do espaço não soa sarcástico? Foi assim que os integrantes do grupo se sentiram: sabotados. Colocaram a gente na programação para nos dar um cala a boca. Talvez para não ofuscar o evento”, finalizou Metralha.
Hip hop
Campina só possui 72 membros do movimento hip hop, segundo representantes campinenses. E vale lembrar que nem todo mundo que mora na cidade sabe o que é nada disso. O hip hop é uma cultura que agrega quatro elementos, o break (dança), o MC (o compositor das rimas), o DJ (som eletrônico) e o graffiti (pinturas em spray). No Brasil, desde que foi trazido (1970) dos EUA, o hip hop agregou o quinto e último elemento, a ação social.
Rap e Repente
A rima de improviso une o rap e o repente. Retrato das vivências nas periferias e guetos negros, o rap traz a luta pacífica pela sobrevivência sem discriminação. Já o sertanejo almeja acabar com a seca e transforma sofrimento em arte popular. Não é à toa que os repentistas têm aparecido cada vez mais ao lado dos rappers. Faces do Subúrbio (Recife) é um dos grupos que bebe na fonte do repente pernambucano.
--------------------
Val da Costa é a blogueira responsável pelo espaço Cuca-CG na net.