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7 de abril de 2010

O GONZO É INVISÍVEL?!


INVENTIVO: Falta mais criatividade no jornalismo e o gonzo daria esse toque artístico à profissão. | imagem: Ralph Steadman

Baixou um santo gonzo em mim hoje. Acabei achando (por intuição) uma colega que trabalhou uma monografia recentemente sobre este que é o estilo mais discriminado do jornalismo. Fiquei sabendo por ela, Lígia Coeli. Que coincidência rolar isso hoje, justamente no Dia do Jornalista! Seria um sinal dos deuses?! A minha previsão do post de anteontem, Vida longa ao gonzojornalismo, de que só o gonzo salva, bateu com a dela.

Como mostrei no post anterior através de um vídeo, esse estilo pode nos salvar do tédio que é assistir cenas cotidianas de tragédia, dor, crime etc. Especificamente, para o caderno de Cidades, o gonzo vestiria bem. No Brasil, a área de política já tem um protótipo meio gonzo, de abordagem, O Pânico na TV. Mas fora os sites de metajornalismo, só temos o Irmandade Raoul Duke de Gonzojornalismo propagando esses registros e incentivando a prática.

Sinto-me forçada a entrar nesse seleto casting e destacar aqui posts com o tema. Pra instigar às quebras de paradigmas! Afinal, devíamos menosprezar o que nos vem rotulado, como seres intelectualizados, e não um estilo que fecunda a criatividade. Mas deixemos os argumentos para nossa colega. E viva o gonzo!

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GONZEAUX, O GÊNERO INVISÍVEL

LÍGIA COELI

Não adianta mais disfarçar: os apelos crescentes aos chamados "relatos humanizados" vem colocando o jornalismo e a literatura em limites muito próximos no desejo de variar o modo de escrever, e sejamos sinceros, essas tentativas não nasceram hoje. Isso é bom, dá uma pontinha de esperanças aos aspirantes a jornalistas que temem passar o resto da vida receitando o lead fastidiosamente, como médicos cansados que constatam o óbvio: é gripe, próximo!

Eis a chance: é nesse intervalo entre a tentativa e a busca de metodologias diferenciadas que enxergamos a oportunidade de introduzir (à força, que seja!) o Jornalismo Gonzo como ferramenta facilitadora para essa prática, um exercício na sensibilidade de contar histórias, porque não?

O que incomoda é visualizar o Jornalismo Gonzo como um gênero esquecido precocemente (tendo em vista a sua criação, nas décadas de 60 e 70), ou até mesmo ignorado. Difícil de explicar por não ter a notoriedade esmagadora do "jornalismo diário", tido como mais importante, presente em unanimidade nas grades curriculares das faculdades de todo o país e repetido metodicamente nas empresas, acrescidos de linhas editoriais ferrenhas, bancadas por uma mistura corrosiva à qualquer aspirante a jornalista independente: poder público e comercial.

É triste, mas para as universidades, o Gonzo não existe. Ao que parece, o empenho exigido por essa prática, que "produz o sentimento de estar dentro de uma cena descrita" inibe e assusta a lógica mercadológica de produção de notícia, e é com essa desculpa que os próprios educadores colocam a idéia de Thompson como algo impraticável, inviável e o pior: dispensável.

Talvez esteja aí uma pista para compreender porque o Gonzo ainda se apresenta como tentativas tímidas, quando não ridicularizadas pelos professores, dada a sua "impossibilidade". Uma vez desconhecendo o criador, o excêntrico Hunter S. Thompson, a criatura – o gonzo, padece com a invisibilidade. "Jornalismo o quê?"

É a primeira pergunta, seguida de caretas na face e escárnios típicos de Dr. Pernóstico que precisa engolir as teorias em moda e salivar raivosamente nas salas de aula. E "pra quê?", cutuca o comodismo. Diante disso, a esperança travestida em Thompson responderia com cigarro em bico: vamos tentar, ora. Tentar!

3 comentários:

Ligia disse...

Intuição, ironia e improviso - pontos que são colocados como 'absurdos' na prática de um (dos tantos, muitos!) Jornalismo, mas tão indispensáveis para o Gonzo: para os encontros, para as histórias.

Eis então que acho alguém pra conversar sobre o assunto sem que antes o coloque como 'impossível', sem que dê risada de uma proposta que, de tão cínica, é crítica. De tanto colocar nas 'fuças' dessa gente o que é, e como as coisas acontecem, e assusta: 'melhor deixar pra lá'.

O encontro foi ótimo, a conversa foi revigorante e acho que posso respirar mais em paz - achei uma Gonzoiniciativa na 'lama do nosso quintal', e fiquei empolgadíssima com isso! Forte abraço, vamos gozar do gonzo, pois! Beijos-beijos!

Anônimo disse...

GONZO É IGUAL SQUIRT Fernanda Souza)
A parada do gonzo é o seguinte...pra “gonzar” o jornalista tem q ser foda. Pq com ele ou é 8 ou 80. Ou o cara goza...ooops, quero dizer ou gonza com um texto perfeito ou a brochada é fenomenal. No jornalismo gonzo não existe meio termo. Não dá pra disfarçar com a receita de bolo e o lead básico e enfadonho que qualquer, destaco, qualquer um pode fazer.
Contudo, para uma realidade de jornalistas pouco críticos, sem bagagem cultural suficiente e algumas vezes com um português que deixa a desejar (triste constatação); e de outro lado, cada vez menos espaços para matérias nas páginas dos jornais diários e a falta de sensibilidade disseminada entre colegas na redação, o gonzo soa como a desejada squirt (ejaculação feminina). Alguns veículos aqui em Campina tentam e até enchem a boca pra dizer que fazem “jornalismo humanizado”, mas por falta de cabedal e competência, fazem mesmo é uma “encheção” de lingüiça piegas.
Apesar das dificuldades, tb acredito que o gonzo pode salvar e digo mais, acho que ele pode conferir valor à profissão do jornalista e resgatar o sex appeal do jornal impresso, por exemplo, que diferente das notícias veiculadas nos portais de notícia, tem mais condições de publicar um material bem melhor trabalhado, mesmo sendo factual.

De acordo com disse...

Exatamente. Concordo com Nanda: espandir mais esse estilo, isso é papel p o jornal de papel, q está se enchendo de lixo cada vez mais e não vai conseguir segurar leitores q pedem tudo de graça e encontram na net. O gonzo pode ser aplicado em qq meio. E não duvidemos da qualidade das nossas cabeças, pois, apesar de termos uma educação deficitária, ainda lidamos com o factual com a velha praxe por necessidade e obediência. Basta se rebelar. Mas com conteúdo. Afinal, o estilo exige no mínimo leituras mil e eternas.