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30 de junho de 2010

MATADORA


"PODEMOS FAZER ISSO" - Pensem com a fúria das trocentas mulheres espancadas, trucidadas e assassinadas... agora virem-se para os agressores e matem! (nem que seja psicologicamente). | imagem: Mis novelas

VALDÍVIA COSTA

Não sei o que fizemos para merecermos a violência como um presente de fim de relação com um homem. A morte se encantou por nós, seres femininos, como por niguém. As estatísticas são alarmantes. No Brasil, a cada 15 segundos, uma mulher é agredida. Elas morrem nas mãos dos companheiros como numa rotina, independente da cor ou classe social.

Atualmente vemos duas recentes batalhas da polícia para desvendar os crimes contra as mulheres. A primeira, a advogada Mércia Nakashima, de 28 anos, foi encontrada morta com um tiro, afogada no próprio carro, em Guarulhos-SP, e pode ter sido vítima de um ex-policial. A segunda, Eliza Samudio, de 25 anos, desaparecida em Belo Horizonte-MG, que pode ter sido assassinada por um jogador de futebol.

Antes delas, lembramos da paraibana Íris Bezerra, 21, esquartejada no Rio de Janeiro por um pernambucano. Os números daquelas que são brutalmente mortas são maiores que qualquer vontade de sobreviver. Por que morremos com tanta violência? Nas pesquisas na internet por "mulher assassinada", o resultado são ocorrências das mais escabrosas. Por que merecemos machadadas, pauladas, estupros múltiplos, espancamentos e torturas?

Seríamos más na essência e estaríamos ameaçando os homens como nossa feminilidade? De acordo com minha experiência de reportagem de mais de três anos na área policial, não conheci nenhum caso de assassinato de mulheres em que a vítima tenha reagido. Talvez uma proteção tola, de levantar os braços na hora dos tiros. Ou, no desepero de se salvar, uma corrida, gritos, xingamentos, interrompidos com o estrangulamento.

Mas nada que venha a machucar o agressor. Nada que venha a atentar contra sua vida ou sequer provocá-lo. Por isso, pela falta de motivos iguais, de violência ou de dor, os homens que matam são covardes, meras representações do mal que habita o humano. São esboços imcompletos dos monstros guardados durante anos de insatisfação de vida ou de profissão ou de gênero ou de repressão... Para eles, matar a nós é o escape da confusão mental que projeta uma traição ilusória ou mesmo um ódio incontrolável do nada.

Não sou, nem de longe, afável com esses 'suspeitos'. Eles merecem morrer. Se pudesse, aplicaria contra os agressores o código de Hamurabi ("olho por olho"... arrancaria os dois, depois a língua, os dedos, um a um...). Enfim, pensar nesses culpados, que saem a maior parte ilesa, muitas vezes até inocentados pela corrupção judicial, me causa um instinto sanguinolento.

Serei igual a eles? Creio que sim. Afinal somos humanos. Mas com a diferença que, justiceiramente, faria o mal para quem o disseminou. Aplicaria a pena máxima para quem fosse julgado com confissões frias e sórdidas. Até esses escapam da punição. Sim, eles confessam. Os motivos que dão são tão irrelevantes quanto suas existências. "Senti ciúme", "não queria que ela fosse embora", "amava demais aquela infeliz"...

Escutei cada declaração! Como são frios e brincalhões esses assassinos. Riem de tudo, até da morte planejada. Porque saem ilesos das situações. Prisão é pouco para quem mata com essa selvageria. Pior: contra vítimas indefesas, que nem de longe poderiam aplicar a mesma força irracional e a mesma bestialidade contra seus agressores.

Imaginem, eu com poder de matá-los! Uma vingadora de todas as mulheres assassinadas por estas bestas. Chegaria nos momentos cruciais e bateria um papo com esses assassinos. Uma conversa verticalizada, eu diria. Sem chances de defesa. Porque para quem mata sem motivos, com 'requintes de crueldade', como prega o jargão policial, eu não daria vez nem voz.

Somos capaz: Ong Graúna - educação e cultura de gênero

INSTIGUE-SE!

5 comentários:

Anônimo disse...

Gostei muito do seu blog, Val. Tô de acordo e faço coro. Não pare.Nem cale. Felicidades. Lulaqueiroga

Anderson Ribeiro disse...

Segura essa mulher! a Justiceira está a solta! hehehehehe. Sua indignação é compreensível. Não só mulheres, crianças também sofrem do mesmo mal e vemos a impunidade bem na nossa cara, chamando a gente de 'imbecil'. É foda!
Obs: seu blog está muito bonito e mais instigante ainda.

De acordo com disse...

Obrigaaaada ao pernambucano Lula e ao sergipano Anderson. Interatividade nordestina sempre é forte e poética nesse blog. "Que boooom"! \0/\0/\0/

xistosa - (josé torres) disse...

Eu tenho uma teoria.
Vou resumir resumidamente (a redundância é propositada) a minha ideia.
Ao longo dos séculos a mulher foi um objecto para o homem.
Era uma escrava, quer nos afazeres domésticos, quer sexualmente.
O macho era o seu dono.
É claro que já havia violência, mas a mulher era submissa (era obrigada a isso, mesmo pela sociedade) e não se tornaria tão evidente.
Quando a mulher começou a equiparar-se ao homem ... o macho sentiu fugir-lhe o poder.
O domínio, a autoridade, a influência, a força que eram apanágio do seu estatuto começou a esvair-se daí ... a rebelião contra o mundo, (neste caso simbolizado pela mulher).

Por cá, as leis continuam a proteger o agressor e muitas vezes, senão na maioria delas, só depois dos desastres é que se tenta consertar o que está irremediavelmente perdido - uma vida.

Faltam leis que punam convenientemente os agressores.

Um bom fim de semana.

De acordo com disse...

É, Xistosa, foi muito tempo de perseguição... abafaram o poder feminino, mas agora ele surge com total força, para acabar de vez com todo e qualquer maltrato. Vlw!