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7 de maio de 2011

ASSÉDIO ME INSPIRA

Um texto de 2008, mas que ainda é válido, pelo que ando sabendo na rádio peão, nos bastidores da imprensa paraibana, como o Calçadão. O texto é explosivo porque eu estava irada. Acho que foi dele que surgiu minha demissão no jornal Correio da Paraíba no final desse ano. O texto foi publicado no jornal da oposição sindical (a primeira na PB em 20 anos, salientando), do movimento Novos Rumos. Enfim, são palavras que, possivelmente, continuam valendo para apontar um caminho aos que sofrem micro agressões ou chiliques. Afinal, assédio, ninguém merece! Mas o assunto me inspira a colocar a real pra fora. | imagem: Charges Bruno
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# Um tema pertinente que vem sendo cada vez mais explorado pelo movimento sindical no Brasil é o assédio moral. Muitos podem cumprir ordens baixando a cabeça para os gritos de um chefe.

Ciente de que esse tipo de tratamento deve ser abolido do ambiente de trabalho, muitos outros vão preferir berrar de volta seus direitos trabalhistas. O profissional que se sentir agredido, humilhado ou menosprezado pode mover ações em uma das 29 Varas da Paraíba.

Segundo o diretor de distribuição da Jurisdição do Trabalho de Campina Grande, Audrovando Paulo da Silva, o assédio moral não é considerado crime pela Justiça, mas uma “afronta à legislação”. Sendo crime ou não, é uma ação que causa doenças graves aos trabalhadores, como síndrome de pânico e depressão, e deve ser julgada e punida.

Apesar das sérias conseqüências que esse “mal hábito” gera, não há estatísticas de denúncias precisas em Campina Grande ou no Estado na Vara do Trabalho, segundo Audrovando. É como se os casos de assédio estivessem sendo co-ligados aos de danos morais na Justiça. Para contá-los, teríamos que percorrer cada Vara, identificando-os e separando-os dos demais.

imagem: Elvis N.
Dia a dia hostil - “São causas mais complexas da jurisdição. Para agilizá-las recomendamos o acompanhamento de um advogado durante toda a ação”, diz o diretor da Jurisdição. Como envolvem danos psicológicos, os casos também devem ser comunicados ao Ministério Público. A classe que vem aumentando as ações trabalhistas no judiciário é a de empregados do comércio. Jornalistas são mais difíceis de expor seus casos, conforme Audrovando.

Muitos colegas vivem o cotidiano carregado de hostilidades sofridas nas redações. Nos jornais impressos há o chefe que amassa a matéria e joga na cara do repórter. Na televisão, há o cinegrafista com síndrome de repórter, que vive humilhando colegas na frente do editor. No rádio, as desconcertantes piadas soltas no ar para o repórter. Na internet: acúmulo de funções e escravização da mão-de-obra barata, como a dos estagiários.

Enfim, fazer jornalismo diário na Paraíba é ser alvo fácil de assédio, que se manifesta embalado em chiliques muito chatos, que deixa o assediado com sintomas como intolerância, queda de cabelo, caspa... A gerência regional do Trabalho diz que assédio moral é uma questão “subjetiva”. Nossas doenças mentais, psicoses, paranóias geradas nas redações são subjetividades para a Justiça. Lógico: uma causa que afeta o psíquico não merece tanta urgência na apreciação do poder judiciário. O problema é que ele existe exatamente para ordenar a subjetividade.

Sorrateiramente, crescem as ações individuais e coletivas que instigam os colegas a dizer se ainda acham que tudo deve permanecer do mesmo jeito, sempre. Se o discurso for baseado na tese do “é assim desde que o mundo é mundo”, desculpe informar, mas vocês todos já têm alguma síndrome, alguma patologia instalada. No mínimo, um vício: o de ser conformado.
#valdívia costa

4 comentários:

Dalmo Oliveira disse...

Muito oportuno Val, principalmente se percebermos que nesses três anos o assédio moral continua assolando os locais de trabalhos dos comunicadores na Paraíba, com a total omissão dos sindicatos dos trabalhadores do setor.

Ninguém merece, de maneira alguma!

Paula disse...

Excelente texto, Val! É uma pena que a maioria dos casos fique impune, justamente porque os nossos colegas têm medo de denunciar. Sofrem calados para não serem taxados de funcionário-problema. Sabemos bem o que é isso...
Paula

De acordo com disse...

Massa, Novos Rumos (em parte) com Paula e Dalmo. A ideia continua, mesmo sem reverberar muito, companheiros. ;)

Flaw Mendes disse...

Puxa! Me vi nesse texto... E uma boa parte dos profissionais da Educação na paraíba. Infelizmente o conformismo impera!